Nameless Chronicles
Prólogo
O ano não se sabe. A data e o local são irrelevantes. Apenas se sabe, que apesar de todos os esforços passados, o Mundo não se alterou em nada: continua a existir a poluição, e desta vez mais forte; as diferenças nos estratos sociais, são ainda mais acentuadas; tudo está na mesma, só os probemas é que estão mais graves. Mas ao contrário do que se possa pensar, os seres humanos continuam a proliferar e a tentar vincar cada vez mais a sua posição como principais predadores. Por esta altura, estão ainda inteligentes e devido à sua evolução rápida, conseguiram adquirir uma maior capacidade de adaptação a novos ambientes, colonizando ambientes outrora inóspitos.
Mas a espécie humana não foi a única a evoluir significativamente. Para além dela, muitas outras espécies animais e vegetais evoluiram, nomeadamente a classe dos insectos e os organismos marinhos. Ainda outras espécies foram criadas, pelos humanos, o que resultou numa explosão de biodiversidade, por todo o Globo.
Mas infelizmente, Darwin tinha razão, quando formulou a teoria da Selecção Natural: as espécies mais fortes e aptas, dominam as mais fracas e/ou menos aptas. Em teoria, parecia que nada mudaria, mas à medida que o tempo foi passando, os seres humanos depararam-se com um dos seus piores pesadelos: outras espécies estavam a adquirir inteligência e mais tarde ou mais cedo, os predadores passariam a presas.
Encontram-se, pois, numa posição mais favorável, mas que vai rapidamente perdendo terreno em relação a outras espécies que evoluem também, rapidamente.
Muitos humanos co-habitam com outros seres; outros, mais fracos, foram apanhados, por potenciais predadores, com uma posição mais favorávelno sistema de evolução; e outros ainda vivem daquilo a que comumente se chama “cobardia”: escravizam aqueles que mais fracos são, mas que lhes podem ser úteis, num clima de guerrilha com espécies mais fortes.
No geral, o cenário não mudou, apenas se substituiram e acrescentaram novos actores.
Cap. I
- Estou admirado contigo, Pietro... – Uma voz rouca e áspera ecoou pela igreja, cheia de reliquias feitas em ouro e deutério – Não sabia que criaturas tão soturnas como tu, frequentavam lugares divinos, como a casa de Deus.
A voz parecia pertencer a um homem velho, magro, com uma barba branca e longa e um aspecto venerável. Estava vestido com uma batina de padre, pelo que se poderia reconhecer, que aquele velho seria um possivel religioso. Dentro da igreja, iluminada pelo crepuscúlo das velas que se reflectia nos dourados das reliquias, estava ajoelhada uma figura negra, vestida com roupas escuras, mas ao mesmo tempo luminosas, na presença de tanto ouro. As palavras do velho, ecoaram pela igreja em direcção àquela figura estranha, atingindo-a e provocando uma reacção nela, que a levou a erguer-se e a dirigir-se para o velho. Assim que se encontrou face a face com este, a figura revelou uma cara jovial mas soturna, de um rapaz cujos olhos vermelhos e purpura, dançavam com as sombras do crepúsculo.
- Eu também não sabia que os padres, seguidores de Deus, falavam com vampiros... – Retorquiu o jovem, numa calma tal, que revelava uma grande ironia em cada uma das suas palavras – Estou admirado consigo... Padre Vilar!
O velho nem sequer pestanejou, ao ouvir aquelas palavras e ao ser olhado de tal maneira, entrou pela igreja dentro, sem olhar para trás.
- Espero que tenhas vindo aqui pedir perdão, por aquilo que fizeste há dois dias atrás... – Disse o padre, à medida que se aproximava do altar, para se adornar com um cachecol de seda em tons de verde e branco.
- Não me arrependo em nada do que fiz com aqueles sanguinários! – Rugiu o jovem, demostrando o seu ar mais selvagem e maligno.
O padre encontrou-se cara a cara com o jovem olhando-o delicadamente nos olhos, com toda a paternidade possivel.
- Tens de te acalmar, Pietro – Começou calmamente – Eles pertencem à tua espécie e têm os mesmo direit...
- Você diz isso, porque não a si que eles vitimaram – Interrompeu o jovem de olhos brilhantes, deitando um ar ameaçador ao sacerdote – Olhe para mim, Vilar! Eu era um rapaz normal como tantos outros até que um dia, eles me encontraram – Dizendo isto o rapaz, mostrou duas marcas no seu pescoço, como dois pequenos sinais, paralelamente dispostos – E partir daí, todos os dias tenho de beijar dolorosamente alguém, para me manter jovem e vivo. Vivo dependente do sangue de outros! Caso contrário, acontece aquilo que tanto vocês como eu já sabemos, por experiência própria...
O velho padre Vilar pareceu ter sido atingido, por aquele asserto final. Ficaram os dois alguns momentos em silêncio e depois o jovem virou costas e saiu do lugar sagrado.
- A palavra “morte”, já não o assusta, pois não?